3º Tour Fulltec Cana Spraytec Mato Grosso 2016: Boas Práticas nas Pulverizações Aéreas e Terrestres

3º Tour Fulltec Cana Spraytec Mato Grosso 2016

Treinamentos em Tecnologia de Aplicação na Cultura da Cana-de-Açúcar

Boas Práticas nas Pulverizações Aéreas e Terrestres


Engº Agrº Manoel Ibrain Lobo Junior
Consultor em Tecnologia de Aplicação
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br


Desenvolvimento e implementação de novas técnicas e tecnologias para as aplicações aéreas e terrestres com o eficiente adjuvante Fulltec Spraytec.

O 3º Tour Fulltec Cana Spraytec Mato Grosso 2016 objetivou levar às principais regiões produtoras de cana-de-açúcar informações teóricas e demonstrações práticas relacionadas às Boas Práticas nas Pulverizações Aéreas e Terrestres.

A Tecnologia de Aplicação deve ser compreendida como um conjunto de conhecimentos destinado a proporcionar a correta colocação dos produtos fitossanitários sobre os alvos biológicos, procurando obter adequada distribuição das gotas, cobertura compatível com o tratamento e redução das perdas para áreas não desejadas.

Para alcançar esses objetivos, diversos fatores precisam ser avaliados simultaneamente: equipamento utilizado, volume de aplicação, vazão, velocidade operacional, sistema de atomização, tamanho das gotas, altura de aplicação, condições meteorológicas, características da calda e localização do alvo biológico.

Na cultura da cana-de-açúcar, essas avaliações assumem especial importância em razão das grandes áreas tratadas, da necessidade de elevada capacidade operacional e da utilização conjunta de pulverizadores terrestres e aeronaves agrícolas.

Atividades teóricas e práticas

1) Palestras teóricas sobre os pontos críticos de controle e critérios de cumprimento das boas práticas nas aplicações aéreas e terrestres;

2) Demonstração prática do eficiente adjuvante Fulltec na redução da deriva e no condicionamento da calda das pulverizações;

3) Demonstrações práticas de regulagem e calibração de bicos hidráulicos Disc-Core (Disco Difusor), Atomizadores Rotativos (Tela/Disco) e pontas CP (Defletoras);

4) Demonstrações de deposições de gotas em papeis sensíveis à água, com classificações de tamanhos Grossas, Médias e Finas, levando-se em consideração as condições meteorológicas (altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e rajadas de ventos), tipo e localização dos alvos biológicos, modelos das aeronaves agrícolas utilizadas (Air Tractor 504, Ipanema 203, Ipanema 202, etc) e alturas de liberação de gotas, dentre outros fatores;

5) Demonstrações de deposições de gotas em papeis sensíveis à água, com classificação de tamanhos Grossas para Muito Grossas, levando-se em consideração as condições meteorológicas adversas, modelos de pulverizadores autopropelidos (Uniport 2500 Canavieiro, John Deere 4730), velocidades operacionais e volumes de calda aplicada.





Usina Porto Seguro
Município de Jaciara (Estado do Mato Grosso)



Usina Cooperb (Destilarias Novo Milênio)
Município de Lambari D´Oeste (Estado do Mato Grosso)



Usina COPRODIA (Cooperativa Agricola de Produtores de Cana de Campo Novo do Parecis)
Município de Campo Novo do Parecis (Estado do Mato Grosso)



Usinas Itamarati 
Município de Nova Olímpia (Estado do Mato Grosso)



Usina Barralcool S/A
Município de Barra do Bugres (Estado do Mato Grosso)


Regulagem e calibração das aeronaves agrícolas

A regulagem de uma aeronave agrícola exige uma análise integrada entre volume de aplicação, velocidade de voo, largura efetiva da faixa, vazão total e sistema utilizado para formação das gotas.

Diferentemente de uma simples determinação de litros por hectare, a calibração precisa ser acompanhada pela avaliação da qualidade da atomização.

A vazão total necessária deve ser corretamente distribuída entre os atomizadores ou bicos instalados na barra, observando suas características operacionais e a uniformidade do sistema.

Nas aplicações aéreas, pequenas alterações na configuração dos dispositivos de atomização podem provocar mudanças importantes no espectro de gotas.

Por isso, antes das aplicações, devem ser verificadas as condições dos bicos, filtros, barras, mangueiras, válvulas e demais componentes do circuito de pulverização.

Também devem ser considerados modelo da aeronave, velocidade operacional, posicionamento dos bicos ou atomizadores na barra e influência aerodinâmica sobre a trajetória das gotas.

A regulagem não termina, portanto, quando se consegue obter o volume desejado em litros por hectare. É necessário verificar qual população de gotas está sendo efetivamente produzida.


Disc-Core, pontas CP e atomizadores rotativos

As demonstrações realizadas durante o Tour apresentam diferentes tecnologias utilizadas na aplicação aérea.

Os sistemas hidráulicos Disc-Core, constituídos pela associação entre disco e núcleo difusor, permitem diferentes combinações capazes de modificar vazão e características da atomização.

As pontas CP defletoras também possibilitam diferentes ajustes e configurações de trabalho, permitindo adequar a pulverização às necessidades operacionais.

Outro sistema importante é representado pelos atomizadores rotativos, nos quais a formação das gotas ocorre pela ação de elementos em rotação.

Nos atomizadores rotativos, parâmetros relacionados à rotação e à alimentação de líquido apresentam influência sobre o tamanho das gotas produzidas. Dessa maneira, esses equipamentos permitem trabalhar com diferentes condições de atomização conforme o objetivo da aplicação.

Não existe, entretanto, um único sistema de atomização ideal para todas as situações.

A escolha entre Disc-Core, CP ou atomizador rotativo deve considerar produto, alvo, volume, aeronave, condições ambientais e tamanho de gotas pretendido.


Tamanho das gotas: um dos principais pontos críticos da aplicação aérea

A seleção do tamanho das gotas constitui uma das decisões mais importantes na aplicação aérea.

Gotas menores podem proporcionar maior número de impactos por unidade de área utilizando determinado volume de calda, favorecendo cobertura em situações específicas. Entretanto, possuem menor massa e maior suscetibilidade ao transporte pelo vento e às perdas por evaporação.

Gotas maiores apresentam comportamento inverso: possuem maior massa, apresentam menor suscetibilidade ao deslocamento e podem contribuir para redução do potencial de deriva.

Entretanto, gotas excessivamente grandes podem diminuir o número de impactos sobre o alvo.

Por isso, durante os treinamentos são demonstradas diferentes classes de gotas (Finas, Médias e Grossas) para que os profissionais possam observar que a escolha precisa representar um equilíbrio entre cobertura, deposição e segurança operacional.

Não existe um tamanho de gota único para todas as aplicações. O tamanho adequado dependerá principalmente das características do alvo, produto aplicado, volume, condições meteorológicas e equipamento utilizado.





Papéis sensíveis à água: tornando as gotas visíveis

Os papéis sensíveis à água constituem importante ferramenta prática para avaliar as pulverizações.

Quando as gotas atingem sua superfície, produzem manchas que possibilitam visualizar o padrão de deposição.

A distribuição das manchas permite comparar diferentes regulagens, sistemas de atomização e condições operacionais.

Pode-se observar a densidade relativa de impactos, distribuição sobre o cartão, diferenças entre classes de gotas e eventuais irregularidades na deposição.

Essas demonstrações são especialmente importantes porque permitem aos participantes visualizar que duas regulagens com o mesmo volume em litros por hectare podem apresentar resultados completamente diferentes sobre o alvo.

Portanto, o volume de aplicação isoladamente não caracteriza a qualidade de uma pulverização.


Altura de voo e trajetória das gotas

Outro fator de grande importância nas aplicações aéreas é a altura de liberação das gotas.

A gota formada pelo sistema de atomização precisa percorrer determinada distância até alcançar o alvo. Durante esse percurso estará submetida ao deslocamento do ar, vento, temperatura, umidade relativa e efeitos aerodinâmicos produzidos pela própria aeronave.

Quanto maior for o tempo de permanência da gota no ar, maior poderá ser sua exposição aos processos de evaporação e deslocamento lateral.

Consequentemente, altura de voo e tamanho das gotas precisam ser analisados conjuntamente.

A operação deve procurar manter condições compatíveis com segurança de voo, uniformidade da faixa e adequada deposição.

Os modelos de aeronaves também apresentam características aerodinâmicas próprias. Por essa razão, regulagens utilizadas em uma aeronave não devem ser simplesmente transferidas para outra sem avaliação.

Durante os treinamentos são consideradas aeronaves como Air Tractor 504, Ipanema 203 e Ipanema 202, conforme as condições encontradas nas diferentes unidades visitadas.


Condições meteorológicas e potencial de deriva

Temperatura, umidade relativa e vento exercem influência direta sobre o comportamento das gotas.

Em condições de temperaturas elevadas e baixa umidade relativa, gotas pequenas apresentam maior possibilidade de redução de seu diâmetro pela evaporação durante o percurso até o alvo.

À medida que uma gota perde água, sua massa diminui e sua suscetibilidade ao deslocamento aumenta.

O vento também precisa ser analisado não apenas pela velocidade média, mas pela ocorrência de rajadas e mudanças de direção.

Por esse motivo, as condições meteorológicas devem ser acompanhadas continuamente durante a aplicação.

A seleção de gotas mais grossas pode constituir uma importante ferramenta de redução do risco em determinadas situações, porém não deve ser interpretada como autorização para pulverizar sob condições meteorológicas inadequadas.

Tecnologia de redução de deriva não substitui condição ambiental adequada.


Fulltec e demonstrações de atributos da formulação

Outro importante componente dos trabalhos é a demonstração prática do adjuvante Fulltec Spraytec, especialmente em relação ao condicionamento da calda e ao comportamento da pulverização.

Os adjuvantes podem apresentar diferentes atributos conforme a composição de suas formulações.

Entre as características que podem ser avaliadas por meio de demonstrações comparativas encontram-se espalhamento, molhamento, comportamento da espuma, homogeneidade da calda e alterações relacionadas à formação das gotas e ao potencial de deriva.

É importante compreender que os adjuvantes não apresentam necessariamente os mesmos atributos.

Diferentes formulações podem exercer efeitos distintos sobre propriedades físico-químicas da calda e, consequentemente, sobre seu comportamento durante a pulverização.

Por isso, demonstrações realizadas com água e caldas preparadas em condições controladas são importantes para mostrar visualmente aos profissionais quais alterações ocorrem após a adição de determinada formulação.

Na redução de deriva, o objetivo deve ser diminuir a participação relativa das gotas mais suscetíveis ao transporte para fora da área-alvo, sem comprometer de maneira indesejada a cobertura necessária ao tratamento.


Qualidade da água e condicionamento da calda

A qualidade da água utilizada no preparo das caldas também merece atenção dentro das Boas Práticas de Aplicação.

A água não deve ser considerada simplesmente um veículo inerte. Características como pH e dureza, além da presença de determinados minerais e sais, podem interferir no comportamento de algumas misturas e produtos fitossanitários.

Águas com diferentes origens (poços, reservatórios, rios ou outras fontes) podem apresentar características químicas distintas.

A dureza da água está relacionada principalmente à presença de íons como cálcio e magnésio, enquanto o pH representa outro importante parâmetro para avaliação das condições de preparo da calda.

A observação desses fatores antes da mistura permite identificar situações que possam exigir maior atenção durante o preparo.

Em 2016, a avaliação prática dessas características representa uma importante ferramenta complementar aos trabalhos com adjuvantes e condicionamento da calda.


Aplicações terrestres na cultura da cana-de-açúcar

Os treinamentos também contemplam pulverizadores autopropelidos utilizados nas aplicações terrestres, incluindo equipamentos como Uniport 2500 Canavieiro e John Deere 4730, registrados no programa original.

Nas aplicações terrestres, velocidade, volume, pressão, modelo das pontas e altura da barra interferem diretamente no comportamento das gotas.

Em condições meteorológicas mais limitantes, demonstrações utilizando gotas classificadas entre Grossas e Muito Grossas permitem visualizar alternativas tecnológicas destinadas à redução do potencial de deriva.

Entretanto, assim como na aplicação aérea, a escolha das gotas deve considerar o alvo.

A redução da deriva precisa ser obtida sem perder de vista a necessidade de proporcionar quantidade e distribuição adequadas de gotas sobre a superfície que se pretende atingir.


Aplicação aérea e terrestre como sistemas integrados

Um dos principais objetivos do 3º Tour Fulltec Cana 2016 foi demonstrar que aplicações aéreas e terrestres não devem ser analisadas exclusivamente pelo equipamento utilizado.

Em ambos os sistemas existe uma sequência de decisões: produto → água → calda → adjuvante → equipamento → regulagem → atomização → tamanho das gotas → condições meteorológicas → deposição sobre o alvo.

Quando uma dessas etapas não é adequadamente considerada, todo o resultado da aplicação pode ser comprometido.

As Boas Práticas nas Pulverizações procuram justamente integrar essas variáveis, proporcionando maior eficiência operacional e agronômica e reduzindo perdas para áreas não desejadas.

A Tecnologia de Aplicação não consiste apenas em aplicar determinado volume por hectare.

Aplicar corretamente significa produzir gotas adequadas, transportá-las até o alvo e proporcionar deposição compatível com o objetivo do tratamento, dentro de condições operacionais e meteorológicas seguras.


Agradecimentos especiais aos competentes profissionais das renomadas empresas Spraytec & Grupo Florindo, por toda a confiança, grande colaboração e pronta atenção durante os trabalhos teóricos e práticos realizados nessa importante região sucroalcooleira do Estado do Mato Grosso.


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