26 abril 2014

Aplicação Noturna de Agroquímicos


Aplicação Noturna de Agroquímicos


Manoel Ibrain Lobo Jr .'.
Engenheiro Agrônomo
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br


Algumas vezes, os produtores aplicam durante a noite, ou por motivo de necessitar esgotar a calda no tanque do pulverizador, ou por desejarem finalizar a aplicação em uma determinada área da cultura, um talhão ou uma quadra.




Nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá e Austrália, muitos produtores estão fazendo da noite a sua principal janela de aplicação de defensivos agrícolas. Esses produtores sabem que as épocas de aplicação coincidem com as épocas do ano onde a temperatura é alta, a umidade é baixa e acontecem freqüentes rajadas de vento com velocidades entre 15 e 20 km/h e pancadas de chuva durante todo o dia.




Esses produtores também sabem que durante a noite essas adversidades climáticas ocorrem com menor intensidade, ou seja, durante a noite as temperaturas são amenas, a umidade relativa do ar é alta e não existe o problema das rajadas de vento. Estudos indicam que as aplicações de agroquímicos objetivando o controle químico de plantas infestantes, doenças e insetos, realizadas no período entre as 9 horas da manhã e 7 horas da noite, resultam em um menor efeito biológico quando comparadas as aplicações realizadas no período noturno.




Esses estudos, na realidade, mostram uma diferença de 40% na taxa de eficiência biológica sobre os alvos quando comparados, o controle químico realizado durante o dia, com o controle químico realizado à noite.





Orvalho X Pulverização

Quando pensamos em pulverizar no período da noite, imediatamente também pensamos no orvalho que vai estar depositado na superfície das folhas. Devemos pensar no orvalho como um forte aliado às técnicas de aplicação e não como um obstáculo para as aplicações noturnas. O orvalho é pura água depositada sob forma de gota na superfície das folhas.




A quantidade e intensidade de orvalho que vai ser depositado nas folhas e, quando vai começar acontecer este processo, dependerá de fatores como temperatura da superfície da folha e da porcentagem da umidade relativa do ar. Estudos indicam que uma noite “bem orvalhada” poderá representar uma pulverização nos volumes entre 5.000 a 20.000 litros/ha.




As gotas de orvalho quando depositadas na superfície foliar, mantém uma estreita relação com a folha da planta. Essa relação resulta em benefícios para a aplicação. Em função da temperatura amena do ar na noite e da alta umidade relativa ocasionada pelo orvalho, a planta entra no estado de relaxamento e nesse estado os estômatos se encontram totalmente abertos, facilitando os mecanismos de absorção de herbicidas pelas plantas daninhas. Também no caso de aplicações objetivando a "proteção de culturas", a absorção de fungicidas e inseticidas sistêmicos pela planta acontece com maior eficiência.




Vale lembrar que, no caso da aplicação de inseticidas de contato, as principais pragas possuem hábito noturno, permanecendo durante boa parte do dia na parte inferior das folhas ou nas folhas do baixeiro das planta, ou até mesmo permanecem escondidas no solo sob a terra, dificultando muito o efeito biológico pelas aplicações convencionais.


O Pulverizador

O que muda no pulverizador terrestre para a aplicação noturna, comparando com o convencional são as luzes. Existe a necessidade de aumentar o alcance da visibilidade frontal e lateral para uma melhor segurança de deslocamento da máquina nas operações de aplicação.






Mapeamento Prévio da Área de Aplicação

É interessante que o operador já tenha aplicado na área durante o dia e, portanto, já tenha um certo conhecimento sobre o relevo do local e saiba da localização dos obstáculos naturais por toda a área, garantindo uma maior segurança na operação.





Condições favoráveis para a gota

Durante a noite o tempo de vida das gotas da pulverização é muito maior, pois elas não sofrem perdas por evaporação e não são levadas pelo vento, e com essas vantagens as possibilidades dessas gotas atingirem o alvo biológico são dezenas de vezes maiores.





Uma ponta de pulverização produz diversos tipos de tamanhos de gotas. Quando verificamos em uma pulverização a deposição de gotas produzidas por uma ponta em um papel sensível à água, por exemplo, verificamos manchas nesse papel de vários tamanhos (diâmetros) em porcentagens distintas.




Utilizando um software de análise de gotas, podemos analisar as gotas depositadas nos papéis sensíveis e calcular as possibilidades de perdas nas pulverizações através do índice PRD. Para uma pulverização hipotética com uma Porcentagem de Risco de Deriva (PRD) acima de 30%, ou seja, significa que mais de 30% de todo o volume de aplicação é formado por gotas com tamanhos inferiores a 150 micrômetros.





Se o pulverizador equipado com essas pontas, que produzem gotas finas, realizar a aplicação no período da manhã ou de tarde, essa porcentagem de mais de 30% com certeza será levada pelo vento ou consumida pela alta temperatura e pela baixa umidade relativa. Esse mesmo equipamento, se realizar durante a noite a aplicação, as perdas por deriva e evaporação não serão significativas. A escolha do tamanho das gotas leva em consideração o tipo de alvo biológico que pretendemos atingir e as condições climáticas no momento da aplicação.





Aplicações Noturnas com Precisão

Nas aplicações aéreas e terrestres, equipamentos como o GPS, garantem ainda mais esta segurança e a precisão nas aplicações noturnas, pois se pode fazer um mapeamento prévio da área georeferenciando locais de interesse, obstáculos naturais e áreas sensíveis.





Aplicações Aéreas de Agroquímicos

Muitas vezes quando formatamos um avião para realizar aplicações durante o dia em Baixo Volume (< 30 litros/ha) e não levamos em consideração a temperatura alta e a umidade relativa do ar baixa, o avião poderá na verdade estar aplicando Ultra Baixo Volume (< 5 litros/ha), pois as gotas pequenas serão consumidas pelo calor e levadas pelo vento.




Essa aplicação não conseguirá, em função das adversidades climáticas, uma cobertura no alvo necessária para conseguir um eficiente efeito biológico. Essa mesma aplicação aérea em Baixo Volume, se realizada a noite, não teria problemas com a deriva e nem com a evaporação das gotas pequenas.






Aplicações Aéreas Noturnas de Defensivos Agrícolas e Domissanitários.

Nos Estados Unidos são aplicados anualmente cerca de 40 milhões de hectares (quarenta milhões de hectares) utilizando aeronaves de asa fixa (aviões) e aeronaves de asa rotativa (helicópteros) objetivando o controle químico e biológico de insetos vetores de epidemias, como o Anopheles (vetores da malária) e o Aedes (vetores da dengue e da febre amarela).




Centenas de empresas aéreas especializadas realizam esses combates aéreos agro-ambientais de insetos vetores em áreas rurais e urbanas, aplicando em grandes alturas, baixos volumes de calda por hectare (< 5 litros).




As aeronaves são equipadas com atomizadores rotativos (Tela e Disco), regulados e calibrados para produzirem gotas com classificação de tamanhos “finas para muito finas”, com diâmetros entre 20 a 80 micra.





Aplicações Aéreas de Larvicidas

Aplicações aéreas de larvicidas biológicos e sintéticos (reguladores do crescimento dos insetos vetores) são realizadas com helicópteros em baixas velocidades operacionais (< 40 MPH), em vôos de baixa altitude (próximos ao solo).







Informações Profissionais:

Manoel Ibrain Lobo Jr .'. é Engenheiro Agrônomo, consultor em tecnologia de aplicação de agroquímicos, ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola.

Acesse: www.scribd.com/pulverizador

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