Monitoramento da Qualidade das Aplicações de Agroquímicos
Manoel Ibrain Lobo Jr
Engenheiro Agrônomo
lobo@pulverizador.com.br
Avaliações de pulverização em campo mostraram que, de uma maneira geral, de todo o defensivo agrícola aplicado no Brasil, aproximadamente 30% vão diretamente para o solo, 40% são perdidos por deriva e evaporação e somente 30% são depositados sobre o alvo biológico.
As principais causas dessas perdas diretas nas aplicações são:
1) Falta de manutenção nos pulverizadores;
2) Incorreta regulagem e calibração dos pulverizadores;
3) Falta de treinamento sobre tecnologia de aplicação para os operadores e para a equipe de apoio;
4) Falta de planejamento e logística nas aplicações.
As péssimas qualidades das pulverizações ocasionam falhas no controle químico, o que resulta aplicações em subdoses ou em sobredoses de defensivos agrícolas sobre os alvos biológicos, refletindo no aumento do número e intervalo das aplicações.
Essas falhas nas aplicações comprometem a eficiência do produto sobre o alvo biológico resultando em perdas na produção da ordem de 40% por conta de ataque de pragas, doenças e plantas daninhas não controladas.
Levando-se em consideração as perdas diretas, em sua maior parte ocasionadas pela incorreta regulagem e calibração dos pulverizadores, e as perdas indiretas pelas pragas e doenças não controladas, fica evidente a necessidade de uma melhor assistência técnica aos produtores na área de tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, objetivando o desenvolvimento de novas técnicas de pulverização que acompanhem a rápida evolução desses produtos químicos cada vez mais técnicos.
São muitos os problemas encontrados nos pulverizadores durante as avaliações da qualidade das aplicações de agroquímicos. No exemplo abaixo, durante a avaliação de pulverização utilizando o fluxômetro manual (medidor de fluxo), foram testadas as pontas de pulverização objetivando verificar a uniformidade de vazão de toda a barra de pulverização.

Esse tipo de avaliação possibilita a rápida identificação de pontas desgastadas ou danificadas para serem posteriormente descartadas e trocadas por novas pontas. No exemplo abaixo, a barra de pulverização está equipada com pontas que, segundo o fabricante, com uma pressão de 40 psi cada uma, devem apresentar vazão de 0,84 l/minuto.

Os dados coletados nessa avaliação demonstram que as pontas 01, 03 e 04 estão ainda em condições de operação, pois apresentam uma variação de menos de 6% da vazão informada pelo fabricante no catálogo.
As pontas 02 e 05 deverão ser trocadas, pois apresentaram variação de 15,5% e 42,86% respectivamente, acima da vazão informada pelo fabricante.
Durante uma avaliação da vazão, em uma situação em que todas as pontas têm o mesmo tempo de uso, se a ponta tiver uma diferença maior que 6% que a vazão fornecida pelo fabricante, esta ponta deve ser trocada.
Ainda nessa mesma barra de pulverização, se a porcentagem de pontas com variação na vazão for acima dos 30%, todas as pontas dessa barra deverão ser trocadas.
Geralmente, quando a ponta apresenta vazão muito maior que a média geral, com certeza essa ponta foi desentupida com um arame ou canivete, que danificou severamente o orifício de saída do produto químico.
As pontas devem ser desentupidas utilizando escova com cerdas de nylon para não serem danificadas.
Após centenas de avaliações já realizadas é possível afirmar, com toda a certeza, que esse tipo de monitoramento não deve ser realizado apenas em pontas ou bicos de pulverização "usados".
Os equipamentos fluxômetro de bico, jarras graduadas (mililitros) e provetas também deverão ser utilizados nas avaliações de bicos (pontas) de pulverização "novos", ou seja, mesmo os bicos sem uso, comprados da fabricante ou revenda, deverão ser avaliados antes do início dos trabalhos das aplicações de agroquímicos.
Observação importante!!! - Não é porque os bicos de pulverização são "novos ou sem uso" que não poderão apresentar problemas na vazão ou na distribuição das gotas de pulverização, pois as falhas na fabricação poderão ocorrer, tanto nos bicos como também em qualquer outro equipamento agrícola.
Informações Profissionais:
Manoel Ibrain Lobo Jr é Engenheiro Agrônomo, Coordenador da Área de Tecnologia de Aplicação de Agroquímicos, Adjuvantes e Fertilizantes Foliares do Grupo Bio Soja (http://www.biosoja.com.br/), ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola, clientes do conceituado Grupo Bio Soja.
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